No "Livro de falas" se estabelecem os mais profundos laços do dizer poético de Edimilson Pereira com ritos e preceitos que estão na base da correlação de forças simbólicas e sócio-culturais de uma parcela mais que significativa dos negros brasileiros. Esses laços, nos quais se apertam o nós da tradição herdada, levam o poeta a pactuar com o mundo antigo, escancarando as portas do espaço ritual da iniciação. Tudo isso justifica por que o eu lírico começa a trajetória de suas falas, convocando, em "Visitação", texto inaugural da obra, Exu, ou seja, o ser que "se manifesta em tudo aquilo que vem em primeiro lugar". A palavra "manifestar-se" não é, no contexto, nada gratuita. Por ela, o lá e o cá se interligam, no diálogo possível de forças que se suplementam, com a falta do mensageiro dos orixás se fazendo ouvir no seu justo "primeiro lugar".
Laura Cavalcante Padilha